quarta-feira, 21 de novembro de 2012

os 25

Vinte e cinco anos... quem diria? Dei por mim que tenho quarto de século... curioso é pensar que a Nana também achou isso quando fez seus vinte e cinco.

A verdade é que chegar nessa nova idade, nesse ano novo, me trouxe uma certa melancolia nostálgica, me peguei pensando no tanto de coisa que já fiz na vida e o tanto que estou prestes a fazer... nossa. Tanta coisa ainda pra realizar, não deixo de lamentar um pouco a quantidade de coisas que eu já poderia ter feito até aqui, mas... o que passou passou, já era. Não tem como voltar atrás.

Agradeço a todo mundo que veio comigo até aqui, a todos que vão continuar, que vão seguir, ainda que não presencialmente, no cara a cara, sei que trago bastante gente dentro do meu peito, bastante gente que me ajudou, me deu um ensinamento ao longo dessa caminhada até aqui, não vou dizer que só aprendi coisa boa... ao contrário, aprendi muita merda! Mas, adaptando uma frase de meu brother Gabriel, é fazendo merda que se aduba a vida! É... eu sei, foi uma bosta de comentário hahahaha!

Agradeço, também, à todos que me deram felicitações... muito obrigado povo :D

Encerro essa pequena "oração" com uma música e com um verso dela que vou levar como mantra:


De hoje em diante
Eu juro felicidade a mim
Na saúde, na saúde, juventude, na velhice
Vou pelos caminhos brandos
A minha proposta é boa, eu sei
De hoje em diante tudo se descomplicará
Com um nariz de palhaço
Rirei de tudo que me fazia chorar
Cercada de bons amigos me protegerei


Vanessa da Mata - Meu Aniversário

... e que os vinte e cinco sejam vinte e cinco vezes melhores do que foram os vinte e quatro!

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Décimo Oitavo Andar

Acordei, debrucei na janela
Décimo oitavo andar
O mundo pequenino olhei
Um instante, um suspirar
A constante ideia de defenestrar

Na xícara o café frio
Estomago vazio
Décimo oitavo andar
No calendario, abril
O distante, voar

Na TV, a caixa de embabacar,
Sempre o mesmo ardil
Décimo oitavo andar
No rádio, o mesmo vil
Raiva, rivotril...

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

SMS

Já na cama, aquele silêncio denunciava mais uma madrugada típica. Os fones de ouvido só estavam presos ao celular afim de evitar o barulho de cada SMS que chegava. Cada resposta. Cada nova palavra enviada - muito embora o som do "digitar" no aparelho fosse tão barulhento quanto a chegada de mensagem nova sem os fones - um pequeno mordiscar de lábio inferior. Sempre havia o receio de uma mensagem chegar pela metade, não chegar. Todo mundo reclamava que várias vezes as mensagens demoravam horas, dias pra chegarem aos destinatários. Com eles nunca havia acontecido isso, com eles até mesmo aquelas mensagens longas sempre chegavam com, no máximo, alguns segundos de atraso. E, cada atraso, o coração vinha na boca "o quê ela pensou?", "o quê ele pensou?". E nessa foram até o sono os derrubar, mas, não sem antes um "boa noite, dorme bem, te amo" dito de cada um dos lados.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

tablet

          A mão segurava a testa antes que a mesma pudesse cair, juntamente com o restante da cabeça, da posição de cansaço, de relativo stress, de estranha tranquilidade e de uma serenidade fina, tal qual aquela cerração que se forma alguns centimetros acima do chão. Queria que seus pensamentos fossem como ícones na tela de um tablet: que pudesse arrastar alguns pra um lado, outros pro outro lado, encolher a maioria, maximizar os de real importancia. Acabou sorrindo de canto com esse pensamento meio absurdo. Os olhos fechados eram pra ocultar - de si proprio - a dor de cabeça que sentia. Com algum esforço a "prendeu" em uma têmpora só, só a direita. Porém, conseguia deixa-la de um lado só, mas nunca faze-la evaporar e lhe deixar totalmente tranquilo. Sabia que essa tranquilidade logo chegaria, sabia que faltavam alguns detalhes não tão pequenos, mas, mesmo assim, conseguia aquietar o seu tão e sempre revolto coração. Faltavam pouco mais de um mês para o seu "ano novo particular". Só ele comemorava tal ano novo, afinal, só ele fazia aniversário naquele dia. Claro, deveriam haver outros mas, para si, aquela data que estava por vir era sua. Ainda que a odiasse, sabia do seu poder regenerador. Pelo visto ainda tinha uma boa quantidade de fé no futuro dentro de si. Que bom.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Marian


A noite era fria. Eu estava envolto naquela onda melancolica haviam semanas. Semanas e mais semanas que tudo o que eu via e escutava era a mesma coisa de sempre: aquela rotina estava me matando. Mas dependia dela. Precisava de algo para me manter longe daqueles desejos... Mas tudo aconteceu alheio ao meu controle. Não podia mais conviver com aquela rotina. Ao menos o acerto ao fim da "rotina" - emprego de quadrinista numa revista de grande circulação nacional - rendeu bastante.

Porém - maldito sejas tu, porém! - gastei boa parte do dinheiro em bebidas, festas... precisava de algo pra me reerguer. Fui a última festa, aproveitar enquanto tinha algum dinheiro. Quem sabe lá tivesse a ideia. Entrei como sempre, procurei alguem para dançar. Foi quando a vi... morena, uma roupa normal, um belo par de sandálias nos pés igualmente belos. A chamei para dançar, para beber alguma coisa. 

Falava bem, se movimentava bem. Quando ela estava bastante alcoolizada, a chamei para sairmos dali, afinal eu tinha planos bem mais interessantes... fomos ao meu apartamento. Transamos. Bebemos mais. Transamos novamente, foi quando vi uma luz diferenciada bater sobre o rosto dela. Marian era o nome dela. Peguei meu material de desenho e rabisquei suas curvas, seu rosto... mesmo dormindo parecia incrivelmente expressivo. Depois de alguns minutos lá estava ela, eternizada no papel.

Logo o dia amanheceria. Tinha desenhado diversas histórias com ela. Já tinha duas duzias de desenhos e a personagem se formou completa em minha cabeça. Tudo. Uma heroína. Uma caçadora de recompensas... era disso que eu precisava para voltar. Perfeito. Quando a escutei se mover notei: não era perfeito. Tinha de quebrar a forma. Outros poderiam usar a mesma forma e, assim, arrancar meus lucros. Mas como fazer? Ela sabia onde eu morava, conhecia meu rosto... como?

Foi quando me veio a ideia que me arrepiou, será que eu teria coragem de fazer isso? Peguei o celular dela. A julgar pelos numeros ela morava sozinha. Então poucos sentiriam a falta dela. Talvez "mamãe", "Tha" e "Jé" que estavam com muitas ligações recentes... será que ela era uma lésbica afim de algo diferente? Mais uma coisa interessante para se acrescentar à "minha" Marian. 

Era cruel mata-la enquanto dormia. Mas era necessário. Assim o fiz. Dei um beijo suave nos cabelos dela como forma de agradecimento pela inspiração. Respirei fundo e cobri o rosto dela com o travesseiro. Não contava com o fato dela acordar durante o processo. Nos filmes isso parecia tão fácil... mais uma aprendizado. Os braços dela tentavam, desesperadamente, tirar os meus dali. Mas, convenhamos, um homem é muito mais forte que uma mulher. Quando o movimento dela cessou respirei mais aliviado.

Agora outro problema: o que fazer com o corpo? Esperei esfriar. Cobri com uma velha cortina que eu guardei por anos a fio. Depois coloquei num saco preto, desses de lixo, e encaminhei-me à lixeira... mas não podia ser a do meu prédio. Peguei as chaves do carro e dirigi até o outro lado da cidade. Já era noite quando a joguei na lixeira. Agora era esperar o caminhão de lixo compactar e sumir com aquilo lá. Adormeci e só fui acordar com o proprio caminhão tirando a caçamba a deixando limpa. Ninguem notou o grande saco preto.

Dirigindo de volta para casa pensei na investigação: iriam a casa noturna que foi o último lugar que ela foi vista. E lá teriam imagens minhas. Ainda em posse do celular dela mandei uma mensagem às amigas "surgiu um imprevisto, tive de visitar a mamãe que sofreu um acidente, volto em 3 ou 4 dias". As duas responderam quase que instantaneamente com algo resumivel a um "ok". Sorri satisfeito tirando o chip do aparelho e o jogando no rio em seguida. Quebrei o chip e joguei em um bueiro.

Quando era dia passei em frente da casa noturna. Estava fechada. Comprei um galão de óleo disel. Joguei na porta da casa noturna, o incendio estava iniciado calmamente. Voltei ao meu apartamento, recolhi os desenhos, minhas roupas e liguei para o senhorio. Disse que estava de saída por problemas familiares. Entreguei a chave na portaria e saí. Dirigi até uma velha cabana em que meus pais viveram os últimos dias. Desenhei toda a série de Marian em meio àquela paz toda. Depois de um ano a publiquei, ganhei milhões com a história... obrigado, Marian. 

domingo, 23 de setembro de 2012

Homem Bagre - O inicio

Era uma sexta-feira, não era a sexta-feira 13 que todos temiam, nem ao menos havia uma lua cheia no céu que justificasse o ar sombrio. Ocorre que, durante as madrugadas, uma fina neblina se levantava do rio e cobria a parte mais baixa da cidade, quem olhasse das partes mais altas e não soubesse que ali haviam algumas casas, comércios e ruas dificilmente diria existir algo ali embaixo. Ele tinha perdido o emprego, morava sozinho, vivia sozinho haviam anos e anos. O retorno pra casa aquela noite se deu lento, faltavam segundos para a meia noite quando parou no meio da ponte entre o centro de a Ilha de Valadares. Suspirou longamente. Quantos sentiriam sua falta? Talvez um ou outro. Talvez ninguem. Subiu ao parapeito da ponte, ninguem vinha de lado nenhum. O rio estava calmo, a cidade silenciosa. Pendeu o corpo pra frente e deixou-se cair naquele rio.

Abriu os olhos. O sol forçava passagem por entre as frestas da janela. Se ergueu olhando em volta. Estava em um lugar que nunca estivera. Tinha morrido? Será que essa era a sua versão do céu? Ou, quem sabe, do seu inferno? Ouviu uma porta ranger atrás de si.

- Então já acordou... como se sente? - Quem era aquele? Como ele ousava lhe dirigir a palavra? - Te fiz uma pergunta rapaz, não lhe ensinaram que é falta de educação não responder os mais velhos?

- Tem razão... - a educação que havia recebido de seus falecidos pais tinha sido esmerada - ... estou melhor, mas...

- Onde está? - O velho se antecipou. - Uma pequena ilha fora dos mapas.

- Como eu vim parar aqui?

- Digamos que... o mar foi gentil com você e lhe trouxe até aqui.

- O mar? Como assim? - cada vez que o homem falava o rapaz parecia mais e mais confuso. - Quem é o senhor?

O homem sorriu de canto. Meneou a cabeça lateralmente uma ou duas vezes, foi quando o inimaginavel atravessou a porta: uma especie de criatura humanoide cinza, com pele brilhante.

- Não vai acreditar de primeira, mas... - o homem fez uma pausa - ... eu fui escolhido para encontrar um substituto depois de 140 anos para ele...

- Ele quem?

- O homem bagre.

Dito isso o senhor se retirou deixando a criatura que, a retina do rapaz se acostumando com a luz, fez notar que era apenas um cabide com rodas e um motor pequeno, parecido com desses carrinhos de controle remoto. O rapaz tocou aquele tecido, sentiu vertigem, sede, fome, todos as sensações possiveis ao mesmo tempo e, não aguentando tal carga de sensações, desmaiou.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Há males

O cabelo curto não era opção, mas era o menor dos males depois de tudo que ocorreu nos últimos meses. As cirurgias, as sessões de quimioterapia, de radioterapia. Para Raquel a vida, realmente, começava aos 40. Na verdade aos 42, já que aos 40 ela praticamente acabou com a descoberta, em um exame de rotina, de um cancer em estágio avançado em seu ovário direito. Poderia ser tirado, porém haveriam sequelas, ela não poderia mais ter filhos. Já tinha um, Felipe, com 14 anos. Seu marido a apoiou o quanto conseguiu... mas a tensão daquele tratamento todo acabou com ele. Acabou com o casamento de 28 anos. Quase acabou com tudo. Algumas semanas depois do inicio das sessões o vistoso e longo cabelo encaracolado de Raquel começava a cair, num rompante ela pediu que raspassem tudo de uma vez. Melhor assim. O esparadrapo tirado de uma vez só doi menos. O tratamento durou dois longos anos. O marido se foi, o filho estava sempre perto. Algumas amigas se afastaram, outras deram a força que ela precisava para superar. Ao fim notou numa manha de sábado os cabelos voltando com força. Os primeiros cachos, as primeiras "molinhas" surgiam em todos os cantos do couro cabeludo. Estava, enfim, curada. Numa consulta de rotina conheceu o pai do seu filho mais novo, Rafael. Que agora tinha pouco menos de seis meses. Lembrou-se de uma frase de sua mãe enquanto caminhava pela rua e pensava em tudo que havia passado: Há males que vem para o bem.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Lembranças


As lembranças encrustradas naquelas paredes, naquele ambiente... quantos beijos haviam sido dados entre aquelas colunas? Quantas horas conversando as mesmas banalidades, as coisas sérias, discutindo onde morariam, os sonhos, os desejos, os medos... agora tudo estava abandonado. Alguns anos se passaram desde os dias que estiveram ali, o prédio - seu antigo colégio - agora estava praticamente abandonado. Diziam que seria demolido para construção de uma escola mais moderna. Crueldade. Deviam haver leis que proibissem locais com lembranças de serem demolidos. Claro que as lembranças não seriam apagadas, mas... ainda assim era cruel. Pensou em protestar, se acorrentar nas colunas com uma placa ao pescoço "salvem minhas lembranças!", faria greve de fome, passaria dias e dias sem comer afim de chocar e comover a opinião pública, atrair a imprensa, fazer um alvoroço jamais visto! Tudo para preservar as suas lembranças! Muito provavelmente outras pessoas, recordando de suas lembranças se uniriam a causa, se acorrentariam, fariam abaixos-assinados, protestos, interditariam ruas, campanhas em redes sociais... não. Espere. Sorriu batendo na propria testa. Como era tolo. As lembranças vão estar sempre em um lugar que nao pode ser demolido, que não pode ter outro prédio construído... as lembranças, aquelas que marcaram, aquelas que são para sempre, vão estar onde nada nem ninguem vai tirar. Elas vão estar sempre no coração.