Estava semi-nua, depois de vários dias com a pele exposta e rasgada era de se esperar que já não sentisse mais tanta dor quando aquela lâmina de fio extremamente afiada passa por seu ventre. Não daria a informação, mesmo que isso lhe custasse sua vida. Longe dela querer morrer, porém era tudo uma questão de prioridades: não queria morrer, no entanto, mais que isso, não queria entregar ninguem. Jamais entregaria seu bando para os cães de Escobar. Dizem que em certo ponto até mesmo o cérebro entra em parafuso com a dor e acaba falando até mesmo as coisas que se controlou tanto para não contar. Esperava ou ser salva ou morrer antes disso. Mas como seria salva? Será que alguem do seu bando sabia que ela havia sido sequestrada? Não... ela havia saído daquele prédio ao sul de Tihuana por conta própria, já não conseguia mais sustentar aquela condição de ver Cristina, nos braços de Ruan. Claro, eles formavam um casal incrivelmente perfeito e lindo... O que Carolina queria agora, era a segunda opção, logo. Foi quando o estampido se fez. Seguido de diversos outros, alguns curtos, secos - tipicos tiros de pistola - e outros mais longos - tiros de carabina. Ainda pode se ouvir alguns tiros cadenciados, metralhadora quem sabe? Perdeu totalmente a noção do tempo. Sorriu ao ouvir a voz de Cristina. Sorriu e deixou-se apagar em meio a dor que sentia. A primeira opção venceu. Mais uma vez a morte teria que esperar.
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quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Marian
A noite era fria. Eu estava envolto naquela onda melancolica haviam semanas. Semanas e mais semanas que tudo o que eu via e escutava era a mesma coisa de sempre: aquela rotina estava me matando. Mas dependia dela. Precisava de algo para me manter longe daqueles desejos... Mas tudo aconteceu alheio ao meu controle. Não podia mais conviver com aquela rotina. Ao menos o acerto ao fim da "rotina" - emprego de quadrinista numa revista de grande circulação nacional - rendeu bastante.
Porém - maldito sejas tu, porém! - gastei boa parte do dinheiro em bebidas, festas... precisava de algo pra me reerguer. Fui a última festa, aproveitar enquanto tinha algum dinheiro. Quem sabe lá tivesse a ideia. Entrei como sempre, procurei alguem para dançar. Foi quando a vi... morena, uma roupa normal, um belo par de sandálias nos pés igualmente belos. A chamei para dançar, para beber alguma coisa.
Falava bem, se movimentava bem. Quando ela estava bastante alcoolizada, a chamei para sairmos dali, afinal eu tinha planos bem mais interessantes... fomos ao meu apartamento. Transamos. Bebemos mais. Transamos novamente, foi quando vi uma luz diferenciada bater sobre o rosto dela. Marian era o nome dela. Peguei meu material de desenho e rabisquei suas curvas, seu rosto... mesmo dormindo parecia incrivelmente expressivo. Depois de alguns minutos lá estava ela, eternizada no papel.
Logo o dia amanheceria. Tinha desenhado diversas histórias com ela. Já tinha duas duzias de desenhos e a personagem se formou completa em minha cabeça. Tudo. Uma heroína. Uma caçadora de recompensas... era disso que eu precisava para voltar. Perfeito. Quando a escutei se mover notei: não era perfeito. Tinha de quebrar a forma. Outros poderiam usar a mesma forma e, assim, arrancar meus lucros. Mas como fazer? Ela sabia onde eu morava, conhecia meu rosto... como?
Foi quando me veio a ideia que me arrepiou, será que eu teria coragem de fazer isso? Peguei o celular dela. A julgar pelos numeros ela morava sozinha. Então poucos sentiriam a falta dela. Talvez "mamãe", "Tha" e "Jé" que estavam com muitas ligações recentes... será que ela era uma lésbica afim de algo diferente? Mais uma coisa interessante para se acrescentar à "minha" Marian.
Era cruel mata-la enquanto dormia. Mas era necessário. Assim o fiz. Dei um beijo suave nos cabelos dela como forma de agradecimento pela inspiração. Respirei fundo e cobri o rosto dela com o travesseiro. Não contava com o fato dela acordar durante o processo. Nos filmes isso parecia tão fácil... mais uma aprendizado. Os braços dela tentavam, desesperadamente, tirar os meus dali. Mas, convenhamos, um homem é muito mais forte que uma mulher. Quando o movimento dela cessou respirei mais aliviado.
Agora outro problema: o que fazer com o corpo? Esperei esfriar. Cobri com uma velha cortina que eu guardei por anos a fio. Depois coloquei num saco preto, desses de lixo, e encaminhei-me à lixeira... mas não podia ser a do meu prédio. Peguei as chaves do carro e dirigi até o outro lado da cidade. Já era noite quando a joguei na lixeira. Agora era esperar o caminhão de lixo compactar e sumir com aquilo lá. Adormeci e só fui acordar com o proprio caminhão tirando a caçamba a deixando limpa. Ninguem notou o grande saco preto.
Dirigindo de volta para casa pensei na investigação: iriam a casa noturna que foi o último lugar que ela foi vista. E lá teriam imagens minhas. Ainda em posse do celular dela mandei uma mensagem às amigas "surgiu um imprevisto, tive de visitar a mamãe que sofreu um acidente, volto em 3 ou 4 dias". As duas responderam quase que instantaneamente com algo resumivel a um "ok". Sorri satisfeito tirando o chip do aparelho e o jogando no rio em seguida. Quebrei o chip e joguei em um bueiro.
Quando era dia passei em frente da casa noturna. Estava fechada. Comprei um galão de óleo disel. Joguei na porta da casa noturna, o incendio estava iniciado calmamente. Voltei ao meu apartamento, recolhi os desenhos, minhas roupas e liguei para o senhorio. Disse que estava de saída por problemas familiares. Entreguei a chave na portaria e saí. Dirigi até uma velha cabana em que meus pais viveram os últimos dias. Desenhei toda a série de Marian em meio àquela paz toda. Depois de um ano a publiquei, ganhei milhões com a história... obrigado, Marian.
terça-feira, 7 de setembro de 2010
Fila do Açougue
essa é meio antiga, eu tinha prometido pra mim mesmo escrever uma crônica nova sobre o amor... massssssssss não saiu, então vamos com essa velha que escrevi à alguns anos na fila do mercado...
Uau, que fila!
Quantos tem na minha frente... 'um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez... onze!' Onze pessoas na minha frente. Provavelmente atraidas pelas mesmas ofertas que eu. Bah, maldita televisão que "propagandeia" os preços e lota as filas dos açougues.
Aquela 'tia' ali na frente ta comprando meio estoque... assim não vai ficar nada pra gente aqui atrás.
Ahhh agora não sou mais o ultimo, entrou uma moça atrás de mim. E que moça... morena clara, roupa de ginastica, cabelos longos, coxas bem torneadas... uma maravilha de mulher. Vou puxar assunto... mas, o que falar? "Os preços estão bons né?" Nããão... isso não! "ê fila hein..." não, isso também não... os outros "participantes" da fila poderiam se sentir ofendidos e passar a me olhar torto.
Menos duas, agora um homem aparentando seus quarenta, quarenta e cinco anos está escolhendo seus "pedaços de cadaveres". Solto um riso, a gente se alimenta de outros seres mortos... portanto a gente come cadaveres! Depois passa uma matéria na televisão em que determinada tribo do oeste de algum país da Africa come carne humana e todos ficam horrorizados. A gente "normal" não fica nada atrás, apenas comemos outros cadaveres.
Hum... esta aí, podia puxar esse assunto filosofico com a moça atrás de mim. Nãão, ela faz academia. Não deve nem ter se dado conta que comemos cadaveres, nem deve ligar. E além do mais ela não vai nem entender o assunto e vai ficar achando que sou louco.
O homem saiu, entrou no seu lugar uma senhora de, no minimo, sessenta anos. Coitado do açougueiro, tem que debruçar por cima do balcão pra ouvir a senhora. Ela compra um saquinho de cadaver e vai embora feliz.
Volto a olhar para minha "deusa morena". Olho discretamente, claro. Mas se ela encrencar eu digo que sou estrabico, que na verdade eu estava olhando para a prateleira lá do outro lado, tentando, em vão, ler o preço do pão de forma.
Já sei!!! Vou perguntar as horas. Ótimo! Como não pensei nisso antes? Olho para o meu relogio no pulso. Faço uma careta. Trago-o proximo do ouvido finjindo que a pilha acabou. "Droga" digo baixinho, mas alto o suficiente pra "minha" morena ouvir. "Que horas são, por favor?" digo olhando fixamente pra ela. Ela abre o celular que até então eu não havia percebido, lê o horario. "Seis e trinta e quatro..." senti que não fui só eu que pensava em puxar assunto mas não sabia com o que. "Obrigado..." respondi olhando firme nos olhos dela com um pequeno sorriso de agradacimento. "... nada" disse ela. "Nada"??? O que ela quis dizer com "nada"? ahh sim... "nada" de "disponha".
Dou um riso pequeno enquanto me viro pra ver a quantas anda a fila da carne. Mais uma, duas, três... quatro pessoas ainda.
Me viro para a moça que ainda não sei o nome. "fila demorada..." "pois é... mas olha atrás de nós... -ela disse 'nós', então já somos um só- tem muito mais gente." "Verdade..." respondo ainda não acreditando que eu e ela já somos um só. "Próximo" ouço a voz caracteristica do açougueiro. Não, ainda não é minha vez. Penso em puxar outro assunto, esse durou muito pouco. Me viro pra ela afim de perguntar se ela tem onde jantar hoje. Assim que me viro um homem se aproxima dela. Vem olhando fixamente pra ela. "Irmão..." eu penso. O homem, já chega dizendo "oi amor...". Droga, ela não é solteira! Dou as costas a ela em protesto. Sim! Eu estava bravo! Por que ela não disse que era comprometida antes da gente se envolver? Minha vontade era pegar a faca mais afiada do açougueiro e cravar nela.
"Próóóximo" minha vez. Desperto da minha, fertil, imaginação, compro meus cadaveres em bifes finos e saio para o proximo comprar seu cadaver.
Uau, que fila!
Quantos tem na minha frente... 'um, dois, três, quatro, cinco, seis, sete, oito, nove, dez... onze!' Onze pessoas na minha frente. Provavelmente atraidas pelas mesmas ofertas que eu. Bah, maldita televisão que "propagandeia" os preços e lota as filas dos açougues.
Aquela 'tia' ali na frente ta comprando meio estoque... assim não vai ficar nada pra gente aqui atrás.
Ahhh agora não sou mais o ultimo, entrou uma moça atrás de mim. E que moça... morena clara, roupa de ginastica, cabelos longos, coxas bem torneadas... uma maravilha de mulher. Vou puxar assunto... mas, o que falar? "Os preços estão bons né?" Nããão... isso não! "ê fila hein..." não, isso também não... os outros "participantes" da fila poderiam se sentir ofendidos e passar a me olhar torto.
Menos duas, agora um homem aparentando seus quarenta, quarenta e cinco anos está escolhendo seus "pedaços de cadaveres". Solto um riso, a gente se alimenta de outros seres mortos... portanto a gente come cadaveres! Depois passa uma matéria na televisão em que determinada tribo do oeste de algum país da Africa come carne humana e todos ficam horrorizados. A gente "normal" não fica nada atrás, apenas comemos outros cadaveres.
Hum... esta aí, podia puxar esse assunto filosofico com a moça atrás de mim. Nãão, ela faz academia. Não deve nem ter se dado conta que comemos cadaveres, nem deve ligar. E além do mais ela não vai nem entender o assunto e vai ficar achando que sou louco.
O homem saiu, entrou no seu lugar uma senhora de, no minimo, sessenta anos. Coitado do açougueiro, tem que debruçar por cima do balcão pra ouvir a senhora. Ela compra um saquinho de cadaver e vai embora feliz.
Volto a olhar para minha "deusa morena". Olho discretamente, claro. Mas se ela encrencar eu digo que sou estrabico, que na verdade eu estava olhando para a prateleira lá do outro lado, tentando, em vão, ler o preço do pão de forma.
Já sei!!! Vou perguntar as horas. Ótimo! Como não pensei nisso antes? Olho para o meu relogio no pulso. Faço uma careta. Trago-o proximo do ouvido finjindo que a pilha acabou. "Droga" digo baixinho, mas alto o suficiente pra "minha" morena ouvir. "Que horas são, por favor?" digo olhando fixamente pra ela. Ela abre o celular que até então eu não havia percebido, lê o horario. "Seis e trinta e quatro..." senti que não fui só eu que pensava em puxar assunto mas não sabia com o que. "Obrigado..." respondi olhando firme nos olhos dela com um pequeno sorriso de agradacimento. "... nada" disse ela. "Nada"??? O que ela quis dizer com "nada"? ahh sim... "nada" de "disponha".
Dou um riso pequeno enquanto me viro pra ver a quantas anda a fila da carne. Mais uma, duas, três... quatro pessoas ainda.
Me viro para a moça que ainda não sei o nome. "fila demorada..." "pois é... mas olha atrás de nós... -ela disse 'nós', então já somos um só- tem muito mais gente." "Verdade..." respondo ainda não acreditando que eu e ela já somos um só. "Próximo" ouço a voz caracteristica do açougueiro. Não, ainda não é minha vez. Penso em puxar outro assunto, esse durou muito pouco. Me viro pra ela afim de perguntar se ela tem onde jantar hoje. Assim que me viro um homem se aproxima dela. Vem olhando fixamente pra ela. "Irmão..." eu penso. O homem, já chega dizendo "oi amor...". Droga, ela não é solteira! Dou as costas a ela em protesto. Sim! Eu estava bravo! Por que ela não disse que era comprometida antes da gente se envolver? Minha vontade era pegar a faca mais afiada do açougueiro e cravar nela.
"Próóóximo" minha vez. Desperto da minha, fertil, imaginação, compro meus cadaveres em bifes finos e saio para o proximo comprar seu cadaver.
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