sábado, 2 de junho de 2012

Esse Amor II

Acordou como sempre, sem abrir os olhos, não sentia-a embaixo de seu braço. Será que ela havia saído até a cozinha? Ficou se perguntando de que forma ela havia "escapado" daquela conchinha sem te-lo acordado. Lembrou que seu sono sempre foi pesado, sobretudo quando estava tranquilo, sereno com algo. Resolveu abrir os olhos. Ainda sentia o cheiro dela no travesseiro. Finalmente abri os olhos e vi, ainda com a vista meio embaçada, aquele papel. Não, não era um simples pedaço de papel. Era uma folha, uma carta, uma carta dela!

Olhou o relógio enquanto desdobrava o papel com zelo. Se sentou na cama afim de ler melhor. Leu, releu, leu novamente, conseguiu a façanha de ler duas vezes e ao mesmo tempo cada linha! Ao fim dela quase tinha decorado cada palavra, cada desenho das letras. Abraçou o papel tomando cuidado para não amassa-lo, olhou para cima - céu - e agradeceu a Deus por ter ela. Se deixou cair de volta na cama. Também tinha pensamentos do tipo que não merecia ela. Que não tinha nada de especial para merece-la. Mas, enquanto pensava, ouviu o "shiiiiiu" autoritário dela. Acabou rindo da forma como ouvia ela comentando em tudo. Imaginou-a como aquele diabinho no ombro do pica-pau. Ora era a diabinha e ora a anjinha. Fazia sentido. Ora a menina, ora a mulher.

Afastou um pouco o papel do peito e leu mais uma vez. Olhou o relógio. Pensnou em mandar um grande "foda-se" para todas suas ativididades... mas não podia. Teve um dia estressante, chato, cinza, tomou banho de chuva, enfrentou filas, ruas esburacadas, tantos problemas que, quando voltou para casa no final da tarde, tudo que queria era ter comprado um saco de areia pra socar até cansar. Ao entrar a casa estava quieta, meio fria. Colocou uma água para esquentar. Não comeria nada de elaborado, qualquer miojo-com-gosto-de-isopor estava bom. Caminhou até o quarto, tomou uma ducha rápida e colocou uma roupa quente. Voltou a cozinha, preparou o seu miojo.

Não se importou com prato, pegou um garfo e voltou pro quarto. Lembrou-se das palavras de sua mãe, que dizia que comer da panela fazia chover no casamento. Acabou rindo disso. Será? Ficou imaginando ela, com o vestido todo branco e a barra toda suja de lama. Ela ficaria uma fera, ainda mais se soubesse que ele tinha sido o culpado disso! Ele havia comido miojo na panela e por isso chovia! Injustiça!

Leu a carta novamente enquanto ligava o computador... desistiu no meio do caminho. Pegou o notebook, colocou na cama, se sentou usando a cabeceira de encosto e procurou entre os arquivos do HD um em especial. Procurava algum filme. Achou amizade colorida, pensou um instante... pensou que a história deles era a continuação. Podiam muito bem transformar a história deles na continuação. E o mais incrivel: eles tinham um lugar especial em cima de um prédio - o dela, a casa dele era no "chão" -, tinham feito tantas coisas e tinham tantas para fazer que lembrou de uma música dos Engenheiros que cantava "já vivi tanta coisa, e tantas tenho pra viver, tô no meio da estrada e nenhuma derrota vai me vencer".

Beijou o papel enquanto lia mais uma vez, o filme já estava começando. Puxou as cobertas. Pausou o filme relembrando que tinha que trancar as portas, apagar as luzes... nossa. Sem ela aqui ele ficava perdido. Até pensou em ligar pra ela. Pensou e ligou. "O número discado encontra-se desligado ou fora da área de cobertura...". Ela disse que isso aconteceria. No caminho de volta pro quarto praguejou o fato dela ir para um lugar tão longe de tudo. Mas... ao ver a carta, esqueceu de tudo. Se enfiou embaixo das cobertas pensando se ela tinha levado roupa pra frio. Levou. Colocou a carta ao seu lado, como se estivesse sentada e assistiram o filme até cair no sono.

Um comentário:

Bell disse...

Não importa pra onde eu vá ou aonde você fique. Cada dia que passa, tenho mais certeza, que espaços de tempo e distancias geográficas, são pequenas demais, perto do que sinto, perto do que temos. Muito e tanto, tanto e muito... sempre mais!