quarta-feira, 23 de maio de 2012

Divisor de Águas

Acordou sem abrir os olhos com a sensação e a lembrança do melhor sonho que já tinha tido. Franziu suavemente a testa e passou a ouvir uma respiração suave, calma, podia jurar que não era uma respiração, eram as ondas numa praia em um amanhecer de agosto - quando o mar se acalma, os ventos fracos fazem o mar parecer um lago de tão sereno - tamanha a paz que aquele som emanava. Abriu uma fresta de olho com a certeza de que tudo havia sido um sonho que, como já foi dito, foi o melhor da sua vida.

A pulsação se acelerou ao vê-la ali, deitada, aninhada em seu peito. Prendeu a respiração por não mais que um segundo afim de acalmar o coração que batia descompassado. Os batimentos se acalmaram, embalados por aquela calmaria. Agora os primeiros movimentos dos musculos: um sorriso se fez. Mordiscou o proprio lábio inferior analisando cada minimo fio de cabelo dela em seu peito, pareciam colocados com uma pinça, um a um, tamanha a perfeição em que estavam dispostos. Virou o olho um instante pra janela, uma fresta de sol ousava romper a pesada janela. Pensou em duas coisas ao mesmo tempo, precisava de uma cortina maior, que cobrisse a janela inteira com sobras e como o sol era chato em amanhecer. Quem deu o direito dele amanhecer já? Uma corrida de olhos para o outro lado, o relógio na cabeceira da cama marcava dez e quinze da manha. Levou o olho à janela pedindo desculpa ao sol.

Pensou em todos os compromissos, tudo que tinha para fazer hoje... lembrou de ter visto ontem em algum jornal de fim de noite que o metrô estaria em greve. Ótima desculpa para não ter que falar pra ninguem o real motivo de compromissos atrasados. Não queria dividir aquilo com ninguem, apenas consigo mesmo e, claro, com ela. Que agora voltava a ganhar o olhar de extrema contemplação dele. Ela ameaçou acordar. Ele fechou os olhos deixando apenas uma frestinha, como se ainda fosse criança e fosse fingir à ela que ainda dormia. Ela apenas se aninhou mais no peito dele. Ele tornou a sorrir com o fixo pensamento de como amava aquela mulher e o quanto queria faze-la feliz. Ela, muito provavelmente fingindo dormir também sorriu e balbuciou, com a voz embargada de sono, "te amo". Ele, completamente perdido ainda ouviu o complemento "muito e tanto". Diz-se que uma lágrima rolou pela face dele. Sua busca chegou ao fim, sua vida passou a se dividir em antes e depois daquele momento... de ter encontrado ela. Ela encontrou ele que a abraçou mais forte. "também te amo" balbuciou com lhe dando um beijo nos cabelos "muito e tanto" e voltaram a dormir. Hoje o dia era deles, da preguicinha tão famosa deles. O mundo? Ah, ele que espere.

Um comentário:

Bell disse...

Não foi dele, o primeiro beijo dela. Não foi com ele, a primeira transa dela. Não havia sido ele, o seu primeiro amor. Mas foi com ele, o beijo mais doce. Foi com ele, a primeira vez em que ela atreveu-se dizer "fazer amor". Era ele, não o primeiro, mas sabia ela, que seria ele pra sempre, seu eterno amor.