sexta-feira, 10 de maio de 2013

Joia de Pedra

Ele me perguntou até quando eu iria continuar brincando de ser agente secreto com a CIA. Confesso - apenas pra mim mesma, por puro orgulho - que fiquei desconcertada com a pergunta. Tentada a responder com um palavrão, quem sabe um ataque. Mas não consegui puxar forças de dentro de mim para tal feito. Apenas permaneci estática, sentindo o peso, o comprimento e o significado de cada palavra. Devo confessar que a proposta dele me tentava. E muito. Mas não podia aceita-la, não agora. Ainda queria provar algo à mim mesma. Algo que eu não tinha a menor ideia do que pudesse ser. Não o respondi. Ele deu um leve toque sobre a mesa, olhou de relance a conta que o garçon havia trazido - não mais de vinte libras - e jogou uma nota de cinquenta. Não ousei tocar aquela nota. Apesar do meu instinto de ladra ainda estar muito ativo eu ignorei a nota.

O segui com o olhar até a porta. Tinha quebrado a escuta, desligado o celular. Será que a CIA ainda confiaria em mim? Aliás, aposto que eles nunca confiaram em mim, apenas a Sydney confia em mim e por isso que eu não estou presa em algum lugar. Me levantei não mais que um minuto após a saída dele. Ao chegar a rua não o vi em lado nenhum, não haviam carros pela rua - também pudera, mais de quatro horas da manhã - e a iluminação da rua era sofrivel ao ponto de não conseguir ver mais do que três quarteirões pra cada lado. Apenas se ele fosse atleta ou tivesse um carro a sua espera ele saíria tão facilmente dali. Ponderei tantas opções que me esqueci de religar o - maldito - celular. Muitas mensagens e ligações perdidas, todas de Sydney. Qual seria o nível de fúria dela comigo agora? Podia apostar que muito alto.

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